Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

Escassez de água adia planos da Coca-Cola na Índia

Mäyjo, 13.11.14

Escassez de água adia planos da Coca-Cola na Índia

A multinacional norte-americana Coca-Cola foi obrigada, pela segunda vez, a não utilizar uma nova linha de engarrafamento indiana, um desafio para a empresa de refrigerantes que apostou €3,6 mil milhões num plano de expansão neste país asiático, diz o Financial Times.

Em Junho do ano passado, a Coca-Cola solicitou à Autoridade Central das Águas Subterrâneas da Índia permissão para começar a usufruir da nova linha de engarrafamento, avaliada em €17,6 milhões (57,2 milhões) – numa fábrica já a operar na localidade de Medhiganj, no norte do país. Contudo, os agricultores locais protestaram contra a fábrica e culparam a Coca-Cola por causar escassez de água na região.

O governo indiano ainda não deu o seu aval à empresa norte-americana, que quer colocar a funcionar uma nova linha de engarrafamento capaz de produzir até 600 garrafas por minuto, duplicando a actual produção da fábrica.

A Coca-Cola afirma que a Índia poderá ser um dos cinco maiores mercados mundiais durante os próximos dois anos. No entanto, alguns analistas referem que os problemas cada vez mais graves de escassez de água no país poderão representar um entrave aos planos ambiciosos de empresas como a Coca-Cola – e outras.

As águas subterrâneas têm sofrido uma grande escassez em toda a Índia, devido sobretudo à sua sobreutilização por parte dos agricultores. Empresas como a Coca-Cola ou Pepsi têm-se tornado alvos fáceis para os agricultores, apoiado também por activistas anti-globalização.

Em Novembro de 2012, as autoridades indianas de água anunciaram novas restrições à utilização de águas subterrâneas na indústria – agora, estas estão ligadas a condições como qualidade de água corrente, tipo de indústria e comprometimento das empresas com os planos de reciclagem e investir na qualidade de água.

Foto:  kulepind / Creative Commons

Geoff Lawton - "Permacultura Urbana"

Mäyjo, 12.11.14

Pode ver mais um dos excelentes vídeos da coleção "Surviving Collapse" de Geoff Lawton, desta vez sobre agricultura urbana (em pequenos espaços), clicando no link (e eventualmente registando-se com um e-mail):
Imagem do quintal de Angelo Eliades, obtida aqui

Para além do vídeo, pode ainda descarregar um folheto sobre permacultura urbana, e onde consta a planta (abaixo) do quintal de 64 m2 que aparece na primeira metade do filme. 
Trata-se do quintal de Angelo Eliades (site Deep Green Permaculture), onde ele produziu, no primeiro ano, 133 kg de alimentos e no quarto ano 234 kg (ver aqui). 
É impressionante a abundância que a permacultura permite nos pequenos espaço, usando planeamento, diversidade (vejam aqui a lista das mais de 150 espécies que ali cultiva), e claro,  o conhecimento das espécies, da sua relação e do funcionamento da natureza (sol, solo, água, vento, ... ). Não percam o vídeo enquanto está on-line.
Conclusão de Angelo Eliades: "Considerando que leva uma média de 2 horas por semana para manter tal sistema, e que o mesmo é isento de químicos e ervas daninhas e quase completamente livre de pragas, esta é uma prova viva de que a Permacultura realmente funciona!"
Planta do quintal de Angelo Eliades, obtida aqui. Clique para aumentar.

Agressões ao nosso planeta

Mäyjo, 11.11.14

Na ânsia do desenvolvimento e da melhoria do nível de vida muitas vezes o ser humano comete erros que acaba por pagar bem caro.

 

pr.jpg

PRIPYAT, CIDADE ABANDONADA PERTO DA CENTRAL NUCLEAR CHERNOBYL, UCRÂNIA

 

No dia 26 de abril de 1986, a explosão de um dos reatores da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, causou a maior catástrofe nuclear civil de todos os tempos, provocando a dispersão de substâncias radioativas sobre uma grande parte da Europa. As 120 localidades circunvizinhas, como Pripyat (50.000 habitantes), a 3km do epicentro, foram evacuadas tardiamente. O número exato de vítimas ainda hoje é incerto, mas estima-se que vários milhões de pessoas sofrem de doenças relacionadas à irradiação (má formação, câncer, deficiência imunitária etc.). Em dezembro de 2000, a atividade do último dos quatro reatores da central foi definitivamente interrompida, em troca de uma ajuda ocidental de 2,3 bilhões de dólares para a construção de duas novas centrais nucleares, concluídas em 2004. Classificados, assim como Chernobyl, no nível 7 da escala de gravidade de acidentes nucleares que tem 7 níveis, os acidentes em série que atingiram quatro reatores da central de Fukushima Daiichi no Japão em março de 2011 vieram lembrar os perigos incontroláveis da energia atômica. Se a indústria nuclear apresenta a vantagem de produzir eletricidade sem emissão de gases do efeito estufa, ela ainda não resolveu o problema do futuro dos seus resíduos, altamente radioativos e de meia-vida longa, gerados pelos 435 reatores ativos em 2001 espalhados em mais de 35 países, que se acumulam nos centros de estocagem.

 

car.jpg

CARAVANA DE DROMEDÁRIOS PERTO DE NOUAKCHOTT, MAURITÂNIA

 

O Saara, maior deserto de areia do mundo, cobre 9 milhões de km2 (o equivalente à superfície dos EUA) divididos em 11 países. Em seu limite ocidental, a Mauritânia, com 3/4 desérticos, é particularmente atingida pela desertificação de origem antrópica. O excesso de pastos e a colheita de madeira para queimar suprimem, pouco a pouco, a vegetação fixadora dos grandes maciços dunares, facilitando a progressão da areia, que ameaça cidades como Nouakchott.

A capital, construída numa planície coberta de capim em 1960 a uma distância de vários dias a pé do Saara, encontra-se hoje com o deserto às portas. As zonas áridas e semiáridas cobrem 2/3 do continente africano, e suas terras frágeis se deterioram rapidamente. Durante os últimos 50 anos, 65% das terras aráveis e 31% dos pastos permanentes da África subsaariana foram assim degradados. Isso causa uma diminuição dos rendimentos, que repercute na segurança alimentar. Nesse círculo vicioso difícil de romper, a pobreza é, ao mesmo tempo, causa e consequência da degradação das terras cultiváveis e da queda da produtividade agrícola.

 

ce.jpg

CENTRO-PIVÔ DE IRRIGAÇÃO, WADI RUM, REGIÃO DE MA’AN, JORDÂNIA

 

Esse pivô central de aspersão autopropulsor fornece aos cultivos água retirada por perfuração em camadas profundas do subsolo (de 30 a 400m), em superfícies irrigadas de 78 ha, por meio de uma rampa pivotante munida de tubos de aspersão, com cerca de 500m e montada sobre rodas de trator. Na Jordânia, o volume de água consumido ultrapassa o das reservas renováveis. Os lençóis subterrâneos são explorados num ritmo duas vezes superior ao da realimentação, quando não se trata de lençóis fósseis não renováveis. A produção de uma tonelada de cereais necessita de cerca de 1.000 toneladas de água. Os países do Oriente Médio, confrontados com necessidades alimentares crescentes, aplicam métodos modernos em suas agriculturas, colocando em risco suas reservas de água. Técnicas de irrigação como as da microirrigação permitiriam economizar até 50% da água. Entretanto, exigindo muita mão de obra, elas foram pouco a pouco abandonadas nas últimas décadas. Fazer o deserto florir pode parecer milagroso, mas ocasiona o racionamento para a população e a salinização das águas subterrâneas e dos solos. Essas práticas agrícolas e de irrigação não sustentáveis são a causa da perda de fertilidade. Das terras irrigadas do planeta, 20% são afetadas pela salinização e a cada ano de 250.000 a 500.000 hectares são perdidos para a produção agrícola.

 

ha.jpg

 

HABITAÇÕES DOS ÍNDIOS KUNA, ILHAS ROBESON, ARQUIPÉLAGO DE SAN BLAS, PANAMÁ

Há quase um século, os índios Kuna que moram no litoral e em 40 ilhotas do lado caribenho, obtiveram um estatuto de semiautonomia por seu território nomeado Guna Yala. Seus 40.000 habitantes podem se autoadministrar e proibiram qualquer investimento estrangeiro em sua terra. Recebem-se, com prazer, visitantes e tiram parte das rendas do turismo, os Kuna não são invadidos nem ameaçados pelo turismo, que em outros lugares do globo pode tomar uma aparência de safári humano. Em 2011, o Panamá se comprometeu a certificar a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativa aos povos indígenas e tribais. Ela reconhece a aspiração dos povos indígenas “a terem o controle de suas instituições, seu modo de vida e seu desenvolvimento econômico próprio e a conservarem e desenvolverem sua identidade, sua língua e sua religião no Estado em que vivem”. Atualmente é o único instrumento obrigatório de proteção dos direitos dos povos indígenas. Ao certificar esse texto, os governos se comprometem a garantir de forma efetiva a integridade física e espiritual dos povos autóctones que vivem em seus territórios e a lutar contra qualquer discriminação em relação a eles. Até agora, apenas 22 Estados assinaram, dentre eles dois vizinhos do Panamá, a Colômbia, em 1991, e a Costa Rica, em 1993. De acordo com a ONU, as populações autóctones constituem pelo menos 5.000 grupos humanos, representando 370 milhões de pessoas que vivem em mais de 70 países.

 

v.jpg

CASA INUNDADA NO SUL DE DACCA, BANGLADESH

O Bangladesh é uma planície deltaica percorrida por uma vasta rede de 300 rios. De junho a setembro, quando chegam as chuvas diluvianas da monção de verão, os rios saem de seus leitos e inundam quase a metade do território. Habituada a esse ciclo natural, parte da população do país vive permanentemente sobre ilhotas fluviais efêmeras formadas de areia e lama acumuladas pelas correntes. Em 1998, 2/3 do país ficaram submersos durante muitos meses, após a maior inundação do século XX, que matou 1.300 pessoas e destruiu as casas de 31 milhões de bangladeshianos. Consequência do aquecimento global, as catástrofes climáticas são cada vez mais numerosas e, seis anos depois, novas inundações, tão devastadoras quanto as precedentes, atingiram o país. O Bangladesh é o país mais densamente povoado do mundo. É também um dos mais pobres e um dos mais ameaçados pelos efeitos das mudanças climáticas. Nas próximas décadas, milhões de bangladeshianos poderão ser obrigados a se mudar para fugir da submersão progressiva e durável das terras devido à elevação do nível do mar. Em 2010, mais de 38 milhões de pessoas foram deslocadas por causa de catástrofes ligadas a eventos meteorológicos extremos, segundo o Centro de Monitorização de Deslocados Internos (IDMC): nesse ano, 15 milhões de chineses e 11 milhões de paquistaneses foram expulsos de suas casas por inundações.

 

ja.jpg

JANGADA DE MADEIRA E SEU REMADOR NO RIO CONGO EM DIREÇÃO A BRAZZAVILLE, REPÚBLICA DO CONGO (CONGO-BRAZZAVILLE)

As estradas são raras na África Central, e as que são mantidas e utilizáveis ainda mais. É por isso que o rio Congo, segundo do mundo em vazão e segundo da África depois do Nilo em comprimento (4.700km), permite aos homens e suas mercadorias se deslocarem numa parte grande do seu curso e dos seus afluentes – sendo a construção de estradas rodoviárias, ao mesmo tempo cara e devastadora para o meio ambiente. Drenando o segundo maciço florestal tropical do planeta e situado sobre a linha do Equador, o rio oferece também a vantagem de ser navegável o ano todo. É o meio mais prático para o transporte de madeira e algumas se transformam em jangadas para o transporte de passageiros e mercadorias. Algumas pessoas se amontoam em barcaças empurradas por automotores que podem passar de 1.000 toneladas e embarcam numa viagem que pode durar várias semanas, mas o trajeto é arriscado nessas aldeias flutuantes. Uma tempestade ou um acidente podem tirar a vida dos passageiros. Em 2011, uma centena de pessoas morreu após uma colisão, no rio Congo, pois além de tudo, navega-se à noite também.